FACE, MÁSCARA, MAQUIAGEM: processos.
14 Quarta-feira Jul 2010
14 Quarta-feira Jul 2010
13 Terça-feira Jul 2010
12 Segunda-feira Jul 2010
11 Domingo Jul 2010
O domingo passa.
Devagar e ao seu tempo, passa.
Como um rio, pela cidade passa.
O barco, levado pelo vento, pelo rio, passa.
As pessoas banhando-se às margens do rio, como os barcos, passam.
Pela vida e pelas águas, as pessoas passam.
As águas do rio tornam-se nuvens e em forma de chuva, por outras cidades, passam.
Por edifícios e ruas de asfalto, caem, escorrem as águas.
Águas bentas nas igrejas, águas de domingo e comunhão.
Pessoas, por igrejas, de mãos dadas, passam.
Passa a vida, em nossos corpos e cidades.
Somos (nossos corpos e as cidades) meros veículos, por vezes deixados, esquecidos e abandonados, (desecho).
Pela vida, pelos corpos, pelos rios e cidades, tudo, eternamente, assim o domingo, passa.
Cities in dialogue: photos 1 and 2: Berlin (Ísis Fernandes); photo 3: Londrina (Ygor Raduy); photo 4 and 5: Ciudad de México (Juan Espíndola Mata); photo 6 e 7: Gabriela Canale (Bauru) and text (Luciana Franzolin).
10 Sábado Jul 2010
Suspensa ao centro, há na cidade uma vitória régia flutuante de concreto. Ela é a rainha admirada por um único pagão, um que se senta ao seu redor, mas nada lhe pede. Assim em silêncio, essa ilha descansa, como descansam desejos às santas, às madonnas, às pobres figuras “aisladas” de canteiros em barrios.
- Quizá esa gente creyente le ofrezca flores, quizá le ofrezca dulces palabras en sus oraciones!
Pelas ruas repousa uma outra alteza, mais muda, mais tímida. Ela é feita de carne e rubro sangue e fantasia-se de multicoloridas vestes “campesinas”, leva o cabelo arrumado com disciplina e suas palmas unidas em contemplação. Essa mulher que parece canonizada, quem sabe chama-se Guadalupe ou Maria, ou talvez, ainda, seu nome de rainha seja Vitória. Quiçá nos dias quentes ela se banhe entre as águas: silente e doce. Quem sabe nesses dias leve uma flor branca em seu cabelo e se alegre assim o seu semblante, que nunca vemos.
Essas rainhas, tão distintas uma das outras, descansam pelas ruas em enorme suspensão. Elas estão paradas nos instantes, flutuando sobre o tempo, agarrando com força nossos olhares, sedentos de redenção.
Agora, nesse instante,
em outra cidade,
ainda mais distante,
uma mera súdita ora a essas rainhas três orações. E acende, a cada uma dessas figuras, uma vela acanhada: uma ao concreto com palavras brutas, outra em silêncio da falta de religião e a última (muy más sencilla) em grande e honesta admiração.
Cities in dialogue: Photo 1: Bauru (Gabriela Canale); Photo 2 e 3 Ciudad de Mexico (Juan Espíndola Mata); Text and Photo 4: Berlin (Ísis Fernandes)