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29 Quarta-feira Fev 2012
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24 Sábado Set 2011
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Abobrinhas, art, Authenticity, Berinjelas, Estética, Jaime Scatena, Legumes, london, multigraphias, Nabos, Pós-modernidade, Psicanálise, Roberto Cambusano, signs, urban art, Vanguardas
Fatiei um nabo. Picotei uma cenoura. Empalhei os dois. Coloquei sobre o muro de pedras. Fotografei. Recortei a foto. Fiz uma colagem. Colei a colagem na casca de uma melancia. Pendurei a melancia no pescoço. Sai pelas ruas, nua, vendada; gritando evoé, evoé e repetindo passos da Pina Bausch. Ah, sou uma anti-artista contemporânea. Ah, me sinto importantemente pós-moderna!
O texto postado pela Gabriela me fez refletir muito sobre a arte e o ramo hortifrutigranjeiro. E também sobre a influência dos legumes sobre minha configuração psíquica. Já tive fases obsessivas. A primeira foi por nabos. A psicanálise me ajudou um pouco nisso. Consegui, graças a Freud, sublimar a obsessão por nabos. Mas logo, quando dei por mim, estava atraído pelas berinjelas. Cheguei a escrever uma grande “Ode às berinjelas”, em estilo épico, inspirada na Ilíada. Logo enjoei de berinjelas e comecei a curtir repolhos. Ao ponto de projetar uma instalação em que a pessoa (uma por vez) entrava numa sala onde havia somente uma mesa com um repolho em cima. Minha intenção era pesquisar de que modo as pessoas interagem com repolhos. Infelizmente, ninguém quis bancar o meu projeto.
***
A partir desses pensamentos, resolvi postar um vídeo inédito que fiz em agosto de 2010. É algo muito conceitual. Visceral. Instigante. Não é pós-moderno. Eu diria que é pós-contemporâneo. Porque o próprio contemporâneo já foi ultrapassado. Os legumes são vanguardistas. Aliás, pós-vanguardistas. No meu vídeo, os legumes e frutas surgem como metáfora do surgimento da Arte – em todas as suas dimensões. A abobrinha tem o pathos trágico. O pimentão já é mais performático. Abacaxis são evidentemente arquitetônicas. Peras são escultóricas. Chuchus tem toda aquela verve que nos remete ao vídeo-arte e à recusa dos cânones narrativos. Uvas – é preciso dizer? – são literárias, de caráter joyceano – especialmente na fase Finnegan´s Wake. No fim do vídeo, a berinjela surge como metonímia utópica da obra de arte total, ainda não realizada mas sempre presente como um horizonte do possível.
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14 Quarta-feira Set 2011
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12 Segunda-feira Set 2011
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14 Quinta-feira Jul 2011