Dos que vagam.

Adulto, vi um vagalume.

Como vaga e lume que é, vagava e lumiava.

Lumiava tanto que trouxe viva a infância, de lugares já escuros.

Lá na infância, agora escura, era verde quando botava dentro de um vidro,

na esperança de que fosse para sempre minha luz verde.

Nós acabávamos sem luz, eu e vaga-lume.

Mas, não desta vez. Não assim, adulto.

Delicadamente, tirei-o da sala, pousado na cortina,

numa de minhas finas folhas de papel.

Ele queria lumiar outras infâncias, 

que elas precisam ser verdes.

Tenho-o comigo, agora

verde:

nesta fina folha de papel.

guardado em papel é sempre verde | Indianópolis | Francis Aguiar

 

from-the-botton-of-the-glass-jar | London | R.Cambusano

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AM15 (self portrait) | GRU | Jaime Scatena

AM15 (self portrait) | GRU | Jaime Scatena

Prisoner’s Dilemma/ Dilema de Prisioneiro

Strategy for the iterated prisoner’s dilemma | London | R.Cambusano

Strategy for the iterated prisoner’s dilemma | London | R.Cambusano

host-of-societal-difficulties | London | R.Cambusano

host-of-societal-difficulties | London | R.Cambusano

 

Volto do mercadinho da esquina que as cidades pequenas sempre mantêm. Evangélicos terminam um culto matutino e se despedem com euforia, resquícios do ontem à noite, em nome do senhor Jesus. É a rua. Dois estranhos emparelham a bicicleta e passam suas paradas. De um ao outro desejam a paz do senhor Jesus, a rua é estreita.

É a praça: os velhos jogam baralho e bebem a cerveja, mais gratuita nesta época. Um carro de som já começa a percorrer os ouvidos da cidade. Outros virão em sequência. Respeitam seus turnos, embora não faça diferença. A monotonia das músicas de campanha só destoa em função de uma ou duas, a essas não falta o ânimo. Prefiro as monótonas.

É minha sala com grades na janela: o gato está em processo de olhos semicerrados. Eu jamais saberei o que se processa ali, nele, mas é um gato noturno. Percorre a vizinhança, e quero reiterar: a cidade é pequena.

Seria insuportável enxergar a mais vaga ideia do que vai ali, no gato. Mas sei que é uma coisa muito livre.

Ele se espreguiça, e eu penso: ali se espreguiça uma cidade inteira, patas abertas, boca arreganhada, dentes sempre à mostra.

Não sei de suas eventuais metafísicas, sei que meu gato jamais irá falar.

E algo (ainda) me impede de miar.

a musculatura da cidade | Indianópolis | Francis Aguiar

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o sobrevivente | Curitiba | Y. Raduy

Behind Bars w/ flower in my hair (SefieKing) | Atibaia | Jaime Scatena

Behind Bars w/ flower in my hair (SefieKing) | Atibaia | Jaime Scatena

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Test post | publicação teste

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           No cenário da literatura atual, a norte-americana tem um lugar de destaque, no entanto, ainda não é de todo bem vista por uma série de fatores, entre eles o preconceito. Mas por que “preconceito”, essa palavra que encerra, em si só, um pesado fardo? E preconceito quanto ao quê? Muito simples: por conta da ideia disseminada de que a literatura norte-americana tornou-se excessivamente comercial, num país que se tornou mais conhecido por exportar incontáveis Best-Sellers do que por apresentar ao mundo literário grandes nomes da literatura, que produziram verdadeiras obras-primas da literatura mundial.

            Comparada às escolas literárias da Europa, principalmente à Inglesa, Francesa, Alemã e Italiana os Estados Unidos são um país muito recente e que só teve sua verdadeira identidade criada a partir do século XIX, quando foi citada, pela primeira vez, com o termo “literatura americana”, muito mais num sentido depreciativo do que num respeitoso, uma vez que se procurava, com tal termo, depreciar e diferenciar essa nova literatura da “literatura inglesa”. E foi justamente por conta de tal depreciação, que surgiu o primeiro desafio dessa nova de literatura: se criar, se definir, escapar dos padrões europeus e construir sua própria identidade, a fim de se fazer, no verdadeiro sentido da palavra, Americana, não mais apenas uma extensão da literatura inglesa.

Jpeg

Gato da Paulista | Indianópolis | Francis Aguiar

Waters of March | Atibaia | Jaime Scatena

Waters of March | Atibaia | Jaime Scatena

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shostakovich piano trios | Curitiba | ygor raduy

Shostakovich: Piano Trio n. 1

Expectador de fanfarra, ele era.
Hoje, sente que tudo isso está ridículo, e não foi só pelo tempo que passou.
Ele é capaz de argumentar e defender que hoje tudo isso está ridículo.
O estranho é que tamborila as três melodias da fanfarra simples. Coisa grudada nos dedos das duas mãos.
Para sua sorte, no entanto, nunca aprendeu a marcha.
O som nos corpos, fanfarrices | Indianópolis | Francis Aguiar
poet-for-hire-UK | London | R.Cambusano
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 Cavalo selvagem.
A palavra é cavalo selvagem. Dispara a trote livre por paragens imprevisíveis. Depois emperra, então deita, prostrado. Súbito relincho, olha ao redor e toma novo rumo. A maioria se assusta, foge. Os arrogantes querem adestrá-lo, às vezes, adestram. Alguns poucos ousam montá-lo sem rédeas. Deixam-se conduzir por eles. Sacolejam, quase caem, equilibram-se sem as mãos. Esses são os artistas da palavra. Não são exímios cavaleiros. Eles simplesmente montam, e seguem, para onde quer que o cavalo vá.
Inter loucos são | Indianópolis | Francis Aguiar
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enviado por Jaime Scatena e postado por Ygor Raduy

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Warrior II

Warrior II | Atibaia | Jaime Scatena

Sunset Yoga pose | Atibaia | Jaime Scatena

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siddhasana | Curitiba | ygor raduy

Siddhasana or the accomplished pose is an asana used for meditation . In Sanskrit ‘Siddha’ means ‘accomplished’ or an ‘adept’ and ‘asana’ means a ‘pose’. Siddhasana is mentioned in tradicional Yoga texts as one of the four most powerful sitting poses suited for meditation.